A Distância Também Pode Ser Amor-Próprio
Existe um momento em que discutir deixa de fazer sentido.
Não porque faltam argumentos, mas porque a paz passa a valer mais do que qualquer tentativa de provar algo para alguém.
Algumas pessoas nunca quiseram entender, apenas vencer.
Criam versões, inventam narrativas e enxergam apenas aquilo que lhes convém. E diante disso, o silêncio se torna mais forte do que qualquer explicação.
Nem toda palavra merece resposta.
Nem toda ausência significa fraqueza.
Às vezes, afastar-se é apenas a forma mais madura de preservar o próprio coração.
- Ano de publicação: 2024. | Com índice: Não. | Volume do livro: 1. | Capa do livro: Mole. | Gênero: Religião e espiritual…
Chega um ponto em que insistir cansa.
Cansa tentar manter por perto quem nunca fez esforço para ficar.
Cansa carregar relações sustentadas apenas por um lado.
Cansa se ferir tentando salvar algo que já deixou de existir faz tempo.
Então a distância deixa de ser castigo e passa a ser cura.
Não é frieza.
É maturidade.
Não é orgulho.
É amor-próprio.
Porque quem realmente conhece alguém não precisa de justificativas para compreender o silêncio. E quem nunca enxergou de verdade jamais entenderá explicação alguma.
Há dores que ensinam mais do que qualquer conselho.
E uma delas é descobrir que permanecer onde não existe valorização também é uma forma de abandono — abandono de si mesmo.
Por isso, algumas partidas acontecem sem gritos, sem vingança e sem escândalo. Apenas acontecem.
A pessoa simplesmente aprende que preservar a própria paz vale mais do que vencer discussões que só machucam.
No fim, escolher a distância não significa ausência de sentimento.
Muitas vezes, significa apenas excesso de decepções.

